Abril 2007
Arquivo Mensal
mostre o seu universo
Arquivo Mensal
Publicado por mogli__ em 27 Abr 2007 | sob: livro das virtudes
(Uma verdade inconveniente, Al Gore, p. 232)
Velhos hábitos + Velhas tecnologias = Consequências previsíveis
Velhos hábitos + Novas tecnologias = Consequências radicalmente alteradas
Pense nisso.
Sério.
Publicado por mogli__ em 20 Abr 2007 | sob: administração
Crescente ao ponto de não conseguir mais ser coberto por um logotipo quadrado que lembra uma janela colorida, todos percebemos como a emergência dos sistemas unix-based e similares está significativamente aparente.
Este movimento, na verdade, está além de sistemas operacionais alternativos. As distribuições Linux são, sem dúvida, um forte exemplo dessa espécie de programas, mas serviços como a Wikipedia e até, salvas as devidas proporções, o Orkut, representam.
Se focarmos em softwares, inevitavelmente discutiremos as regras ou conseqüências da licença open source. Programas publicados sob este selo possuem seu código fonte aberto, permitindo interação entre programadores e usuários irrestritamente. As correções, customizações e inovações sobre os sistemas são desenvolvidas de acordo com as necessidades do usuário, que as publicará para uso público novamente.
Esse conceito simples – que foi resumido, é claro – possui um poder, em escala, incrível. Tanto que é sensível a representação de distribuições Linux em servidores e ambientes corporativos.
Claro, é de graça. É? Falemos mais adiante sobre isso.
Os outros exemplos acima – Wikipedia e Orkut – não são programas open source, mas derivam de uma filosofia bastante similar.
Eles são gratuitos e construídos pelos usuários. Como Benkler entitulou, são produções comuns compartilhadas ou, preferencialmente, common-based peer production.
É introduzida uma nova tendência de produção, além das tradicionais teorias da firma (produção controlada pela empresa) e do capital (produção controlada pelos preços). Aqui, a produção é comunitária, sob demanda ou interesse, compartilhada e coordenada de forma a atingir algum objetivo.
Entendo que a palavra de ordem nessa esfera seja colaboração. Não há força privada ou proprietária que possa ser maior do que a união comum. Quando as pessoas investem parcelas do seu tempo e conhecimento em produções públicas, quando colaboram em um objetivo, os resultados são imensos. A própria Internet pode ser apontada como de produção colaborativa. Venho há algum tempo afirmando, a quem quiser ouvir, que você pode saber tudo sobre qualquer assunto: a massa de conhecimento disponível na Internet é insuperável.
Se estou correto nesta afirmação então, certamente, não há exemplo maior de produção colaborativa comum do que a rede mundial.
Ok, mas alguém tem que pagar as contas.
Sem dúvida. É nesta inquietante necessidade que entram algumas linhas de administração que inclusive já foram comentadas aqui.
Se analisarmos as formas de produção em concordância com as tendências de mercado, haveremos de concluir que, o que tende a ser comercializado hoje em dia é o como fazer, uma vez que o produto é de origem comum.
Ora, se o atento leitor lembrar que comentei em Produzindo trabalho que o fluxo do trabalho tende a serviços externos e terceirizações, perceberá o que pode ser feito com a filosofia open source. O produto pode ser gratuito, mas o conhecimento é seu: você pode instalar o sistema, customizar para o negócio, capacitar os usuários e assinar um contrato de manutenção. Isto é o seu conhecimento. E você cobra por ele.
A ótica da produção de renda com outsourcing pode ser vista também como ferramenta política de consolidação da economia nacional, uma vertente do desenvolvimento sustentável, onde não só manteremos os meios e controle das fontes naturais, mas também faremos com o capital seja mantido no país.
Aos que estavam presentes, fica claro que resumi aqui o que discutimos em aula na Universidade. Tento esclarecer minhas idéias sobre um tema tão amplo e significativo.
Como de praxe, são as minhas meras opiniões.
Show us your universe.
–
Aos que estranharem o fato de eu comentar a doutrina open source, que fiquem claras minhas intenções em ingressar nesta família.
Nem que seja para conhecer melhor seu inimigo, como diria Shun Tsu, mas, anyway, há um grande interesse.
Publicado por mogli__ em 17 Abr 2007 | sob: livro das virtudes
(O Livro das Virtudes, William J Bennett, p. 207)
Damon e Pítias
Damon e Pítias eram grandes amigos desde a infância. Confiavam um no outro como se fossem irmãos e ambos sabiam, do fundo do coração que nada havia que não fizessem um pelo outro. Chegou o dia em que precisaram demonstrar a profundidade dessa devoção. Aconteceu assim:
Dionísio, rei de Siracusa, aborreceu-se ao tomar conhecimento dos discursos que Pítias vinha fazendo. O jovem pensador andava dizendo ao público que nenhum homem deve ser ter poder ilimitado sobre outro e que os tiranos absolutos eram reis injustos. Num assomo de cólera, Dionísio mandou chamar Pítias e seu amigo.
- Quem você pensa que é, espalhando a inquietação entre as pessoas? - exortou.
- Divulgo apenas a verdade - respondeu Pítias. - Não pode haver nada errado nisso.
- E sua verdade sustenta que os reis têm poder demais e que suas leis não são boas para os súditos?
- Se um rei apossou-se do poder sem a permissão do povo, sim, é o que falo.
- Isso é traição! - gritou Dionísio - Você está conspirando para me depor. Retire o que disse ou arque com as conseqüências.
- Não retiro nada - respondeu Pítias.
- Então você morrerá. Tem algum ultimo desejo?
- Sim. Permita-me ir em casa apenas para dizer adeus à minha mulher e meus filhos e deixar em ordem os assuntos domésticos.
- Vejo que não somente me considere injusto, mas também estúpido – Dionísio riu, sarcástico. – Se sair de Siracusa, tenho certeza de que nunca mais o verei.
- Dou-lhe uma garantia – disse Pítias.
- Que garantia nesse mundo você me poderia dar para fazer-me crer que algum dia voltará? – exclamou Dionísio.
Nesse momento Damon, que permanecia calado ao lado dos amigos, deu um passo à frente.
- Eu serei a garantia – disse. – Mantenha-me em Siracusa como seu prisioneiro até o retorno de Pítias. Nossa amizade é bem conhecida. Pode ter certeza de que Pítias voltará se eu ficar retido aqui.
Dionísio examinou em silêncio os dois amigos.
- Muito bem – disse por fim. – Mas se está disposto a tomar o lugar do seu amigo, deve ser dispor a aceitar a mesma sentença, se ele quebrar a promessa. Se Pítias não voltar a Siracusa, você morrerá em lugar dele.
- Ele cumprirá a palavra – respondeu Damon. – Não tenho a menor dúvida.
Pítias recebeu permissão para partir e Damon foi atirado na prisão. Muitos dias se passaram e, como Pítias não voltava, Dionísio se deixou vencer pela curiosidade e foi à prisão ver se Damon já estava arrependido de ter feito o acordo.
- Seu tempo está chegando ao fim – o rei de Siracusa escarneceu. – Será inútil implorar misericórdia. Você foi um tolo ao confiar na promessa do seu amigo. Pensou realmente que ele iria sacrificar a vida por você, ou por qualquer outra pessoa?
- É um mero atraso – Damon rebateu com firmeza. – Os ventos não permitiram que navegasse, ou talvez tenha encontrado um imprevisto na estrada. Mas se for humanamente possível chegará a tempo. Tenho tanta certeza da sua virtude como da minha própria existência.
Dionísio admirou-se da confiança do prisioneiro.
- Logo veremos – disse ele, deixando Damon sozinho na cela.
Chegou o dia fatal. Damon foi retirado da prisão e levado à presença do algoz. Dionísio saudou-o com um sorriso presunçoso.
- Parece que seu amigo não apareceu – ele riu. – Que acha dele agora?
- É meu amigo- Damon respondeu. – Confio nele.
Nem terminara de falar e as portas se abriram, deixando entrar Pítias cambaleante. Estava pálido, ferido e a exaustão tirava-lhe o fôlego. Atirou-se aos braços do amigo.
- Você está vivo, graças aos deuses – soluçou. – Os fados pareciam conspirar contra nós. Meu navio naufragou numa tempestade, bandidos me atacaram na estrada. Mas recusei-me a perder a esperança e finalmente consegui chegar a tempo. Estou pronto a cumprir minha sentença de morte.
Dionísio ouviu com espanto essas palavras. Abriam-se seus olhos e seu coração. Era-lhe impossível resistir ao poder de tal lealdade.
- A sentença está revogada – declarou ele. – Jamais acreditei que pudessem existir tamanha fé e lealdade na amizade. Vocês mostraram como eu estava errado e é justo que os recompense com a liberdade. Em troca, porém, peço um grande auxílio.
- Que auxílio? – perguntaram os amigos.
- Ensinem-me a ter parte em tão sólida amizade.
Fico me perguntando onde estão meus amigos. Foram atos meus, ausências minhas ou a simples passagem do tempo?
Gostaria de trazê-los para perto novamente.
Publicado por mogli__ em 14 Abr 2007 | sob: geral
Que me perdoem os fatalistas, mas a vida é de quem faz. Se suas conjecturas permitem a existência de um poder superior (ou Poder Superior, anyway), e sendo o livre-arbítrio um dos legados do homem, não posso acreditar que nos seria fornecida a chance de decidir sobre nosso atos se todas as suas conseqüências já estivessem determinadas.
Concomitantemente, a inglesa Mary Midgley afirma que o ponto central de excelência do existencialismo é a aceitação da responsabilidade (ou falta dela…) sobre nossos atos e suas conseqüências.
Esta linha só é fortalecida quando nos deparamos com aquela miríade de se… que surge ao refletirmos sobre um evento.
Portanto, deixando a demagogia ir dar uma volta no parque, gostaria de lembrá-los - de tomar a liberdade de lembrá-los - que os seus atos, as suas ações, as suas decisões implicarão diretamente sobre a sua vida e o seu futuro.
Sabe o gosto do arrependimento? É horrível.
Seja conseqüente. Maktub é para os acomodados.
Publicado por mogli__ em 14 Abr 2007 | sob: livro das virtudes
(O Livro das Virtudes, William J Bennett, p. 161)
Juramento ateniense
Este juramento era feito por jovens da Antiga Grécia ao atingir os 17 anos.
Não causaremos desgraças a nossa Cidade por atos de desonestidade ou covardia.
Lutaremos individual e coletivamente pelos ideais e tradições da Cidade.
Prestaremos reverência e obediência às leis da Cidade e envidaremos os melhores esforços para que nossos superiores - que podem modificá-las ou anulá-las - as respeitem também.
Lutaremos sempre para incentivar o povo a desenvolver a consciência cívica.
Através destes procedimentos, legaremos uma Cidade, não apenas igual, mas maior e melhor do que a que nos foi legada.
Não preciso complementar…
Publicado por mogli__ em 13 Abr 2007 | sob: livro das virtudes
So, tentativa de ressuscitação. Espero que dê certo.
Pretendo tratar o blog com um caráter menos formal e, talvez, mais parecido comigo.
Nesta categoria, livro das virtudes, pretendo escrever trechos de livros que, no contexto da data da publicação, possuam alguma relação com o momento pelo qual estou passando.
O nome dela, é claro, é uma referência magna por si só.
Algumas pessoas, imagino, vão entender recados, indiretas ou o meu estado de espírito. Para as demais, vale a dica do livro.
;)