Sexta, 20 de Abril de 2007

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Open source e o fim do arco íris

Publicado por mogli__ em 20 Abr 2007 | sob: administração

Crescente ao ponto de não conseguir mais ser coberto por um logotipo quadrado que lembra uma janela colorida, todos percebemos como a emergência dos sistemas unix-based e similares está significativamente aparente.

Este movimento, na verdade, está além de sistemas operacionais alternativos. As distribuições Linux são, sem dúvida, um forte exemplo dessa espécie de programas, mas serviços como a Wikipedia e até, salvas as devidas proporções, o Orkut, representam.

Se focarmos em softwares, inevitavelmente discutiremos as regras ou conseqüências da licença open source. Programas publicados sob este selo possuem seu código fonte aberto, permitindo interação entre programadores e usuários irrestritamente. As correções, customizações e inovações sobre os sistemas são desenvolvidas de acordo com as necessidades do usuário, que as publicará para uso público novamente.

Esse conceito simples – que foi resumido, é claro – possui um poder, em escala, incrível. Tanto que é sensível a representação de distribuições Linux em servidores e ambientes corporativos.
Claro, é de graça. É? Falemos mais adiante sobre isso.

Os outros exemplos acima – Wikipedia e Orkut – não são programas open source, mas derivam de uma filosofia bastante similar.
Eles são gratuitos e construídos pelos usuários. Como Benkler entitulou, são produções comuns compartilhadas ou, preferencialmente, common-based peer production.

É introduzida uma nova tendência de produção, além das tradicionais teorias da firma (produção controlada pela empresa) e do capital (produção controlada pelos preços). Aqui, a produção é comunitária, sob demanda ou interesse, compartilhada e coordenada de forma a atingir algum objetivo.

Entendo que a palavra de ordem nessa esfera seja colaboração. Não há força privada ou proprietária que possa ser maior do que a união comum. Quando as pessoas investem parcelas do seu tempo e conhecimento em produções públicas, quando colaboram em um objetivo, os resultados são imensos. A própria Internet pode ser apontada como de produção colaborativa. Venho há algum tempo afirmando, a quem quiser ouvir, que você pode saber tudo sobre qualquer assunto: a massa de conhecimento disponível na Internet é insuperável.
Se estou correto nesta afirmação então, certamente, não há exemplo maior de produção colaborativa comum do que a rede mundial.

Ok, mas alguém tem que pagar as contas.
Sem dúvida. É nesta inquietante necessidade que entram algumas linhas de administração que inclusive já foram comentadas aqui.

Se analisarmos as formas de produção em concordância com as tendências de mercado, haveremos de concluir que, o que tende a ser comercializado hoje em dia é o como fazer, uma vez que o produto é de origem comum.

Ora, se o atento leitor lembrar que comentei em Produzindo trabalho que o fluxo do trabalho tende a serviços externos e terceirizações, perceberá o que pode ser feito com a filosofia open source. O produto pode ser gratuito, mas o conhecimento é seu: você pode instalar o sistema, customizar para o negócio, capacitar os usuários e assinar um contrato de manutenção. Isto é o seu conhecimento. E você cobra por ele.

A ótica da produção de renda com outsourcing pode ser vista também como ferramenta política de consolidação da economia nacional, uma vertente do desenvolvimento sustentável, onde não só manteremos os meios e controle das fontes naturais, mas também faremos com o capital seja mantido no país.

Aos que estavam presentes, fica claro que resumi aqui o que discutimos em aula na Universidade. Tento esclarecer minhas idéias sobre um tema tão amplo e significativo.

Como de praxe, são as minhas meras opiniões.
Show us your universe.


Aos que estranharem o fato de eu comentar a doutrina open source, que fiquem claras minhas intenções em ingressar nesta família.
Nem que seja para conhecer melhor seu inimigo, como diria Shun Tsu, mas, anyway, há um grande interesse.