Sexta, 9 de Novembro de 2007

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en passant

Publicado por mogli__ em 09 Nov 2007 | sob: declarações

Eu lia livros. Bem, no começo eram gibis, mas eu lia mesmo assim. Vários, repetidas vezes.
Eram os meus gibis, as minhas histórias.

Eu jogava videogames (Ha-ha, jura?!). Por horas e horas, tresloucado. Perdia demais, mas eu era o melhor.
Porque eram os meus jogos.

Eu jogava xadrez. Por vezes seguidas, não importava o adversário. Bem, importava. Se fosse melhor do que eu, curiosamente, as partidas não duravam muito.
Mas, em geral, eu vencia.
Era o meu tabuleiro.

Com mais alguns detalhes obtusos e sórdidos, este era o meu mundo. Era confortável e fácil, e eu não me importava com muito mais do que isso.
Até que ele surgiu.

De início era inconsciente, mas o que mais me cativou nele é que ele também tinha o mundo dele, muito similar ao meu. Não sei se por curiosidade ou instinto de macho alfa, mas eu quis conhecer melhor aquela criatura que, de uma forma que eu não compreendia, tinha uma vida enigmaticamente parecida com a minha.

Até que as professoras começaram a falar dele também. Não, impossível. Elas deveriam falar apenas de mim! Contudo, teimosamente, o referenciavam.
Isso não me deixou dúvidas: eu tinha de conhecê-lo melhor.
Fi-lo, e conheci a mim mesmo.

Modéstia à parte, o fascínio dura até hoje.

Tornamo-nos homens em universos distintos. Os desafios que a vida me trouxe foram diferentes dos problemas que o amadureceram, e esses panoramas nos oferecem descobertas constantes.
E, do meu lado, apertam os laços.

Mano, eu já disse e repeti isso mais vezes do que o meu orgulho gosta de admitir. Admiro demais você e a maneira como leva a sua vida. Não são modos que eu praticaria, em geral, mas merecedores de reconhecimento.
Amo você, por tudo, por ser essa entidade que você é. Por facilitar tanto o preenchimento de adjeticos depois de dois pontos.

Francamente, acho que você não sente o mesmo por mim. Em várias ocasiões pude observar a diferença na consideração que temos entre nós. Contudo, o fato de o que eu digo não ser recíproco mais me instiga do que entristece.

Assim eu tenho que te conquistar. É mais divertido.
Se você sentisse o mesmo que eu, não teria graça. Seria fácil demais.

Feliz aniversário, Mano.