livro das virtudes

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responsabilidade de fato

Publicado por mogli__ em 04 Out 2007 | sob: livro das virtudes

(O Livro das Virtudes, William J Bennett, p. 139)

Ser “responsável” é “responder pelos próprios atos”, é corresponder. No Jardim do Éden, foi um Adão imaturo que, ao descobrir que comera o fruto proibido, colocou a responsabilidade em Eva. E foi uma Eva imatura que, por sua vez, colocou-a na tentação da serpente. Aristóteles foi um dos primeiros a observar que nos tornamos as pessoas que somos devido às nossas próprias decisões. A filósofa inglesa Mary Midgley diz que “o ponto central da verdadeira excelência do Existencialismo [é] a aceitação da responsabilidade de ser como nos fizemos, a recusa a dar falsas desculpas”.
Soren Kierkegaard, um dos pioneiros do Existencialismo no século XIX, deplorava os efeitos nocivos dos grupos e das multidões em nosso senso de responsabilidade. Ele diz: “Uma multidão em seu próprio conceito é o falso, pelo fato de deixar o indivíduo completamente impune e irresponsável ou, no mínimo, enfraquecer seu senso de responsabilidade, reduzindo-o a uma fração”. Nas Confissões, Santo Agostinho usou esse senso de responsabilidade enfraquecido pela pressão dos pares como traço central da meditação sobre o vandalismo de sua juventude “porque temos vergonha de recuar quando os outros dizem ‘Vamos!’.” E insistiu tanto quanto Aristóteles e os existencialistas no reconhecimento da responsabilidade pessoal pelo que fazemos. Um senso de responsabilidade enfraquecido não enfraquece o fato da responsabilidade.

o primeiro obstáculo

Publicado por mogli__ em 30 Mai 2007 | sob: livro das virtudes

(Ramsés, o Filho da Luz; Christian Jacq; p. 13)

Exausto, o animal acalmou-se, contentando-se em apenas bufar e resfolegar. O rei largou-o, depois de ter feito sinal a Ramsés para se colocar atrás dele.
- Essa espécie é indomável. um macho como esse ataca através do fogo e da água e sabe esconder-se atrás de uma árvore para melhor surpreender seu inimigo.
O animal voltou a cabeça de lado e olhou por uns instantes seu adversário. Depois, como num gesto de impotência perante o Faraó, afastou-se para o seu território com passo tranqüilo.
- Você é mais forte do que ele!
- Já não somos adversários; fizemos um pacto.
Sethi tirou um punhal da sua bainha de couro e, com gesto rápido e preciso, cortou o caracol da infância.
- Meu pai…
- A sua infância está morta; a vida começa amanhã, Ramsés.
- Não venci o touro.
- Mas vencei o medo, o primeiro dos inimigos no caminho da sabedoria.
- Há muitos outros?
- Mais, muito mais do que os grãos de areia do deserto.
A pergunta queimava os lábios do rapaz…
- Então devo entender… que o senhor me escolhei como seu sucessor?
- Você acha que somente a coragem basta para governar os homens?

enquanto isso, lá fora…

Publicado por mogli__ em 27 Abr 2007 | sob: livro das virtudes

(Uma verdade inconveniente, Al Gore, p. 232)

Velhos hábitos + Velhas tecnologias = Consequências previsíveis
Velhos hábitos + Novas tecnologias = Consequências radicalmente alteradas

Pense nisso.
Sério.

ouvindo meus ecos

Publicado por mogli__ em 17 Abr 2007 | sob: livro das virtudes

(O Livro das Virtudes, William J Bennett, p. 207)

Damon e Pítias
Damon e Pítias eram grandes amigos desde a infância. Confiavam um no outro como se fossem irmãos e ambos sabiam, do fundo do coração que nada havia que não fizessem um pelo outro. Chegou o dia em que precisaram demonstrar a profundidade dessa devoção. Aconteceu assim:

Dionísio, rei de Siracusa, aborreceu-se ao tomar conhecimento dos discursos que Pítias vinha fazendo. O jovem pensador andava dizendo ao público que nenhum homem deve ser ter poder ilimitado sobre outro e que os tiranos absolutos eram reis injustos. Num assomo de cólera, Dionísio mandou chamar Pítias e seu amigo.
- Quem você pensa que é, espalhando a inquietação entre as pessoas? - exortou.
- Divulgo apenas a verdade - respondeu Pítias. - Não pode haver nada errado nisso.
- E sua verdade sustenta que os reis têm poder demais e que suas leis não são boas para os súditos?
- Se um rei apossou-se do poder sem a permissão do povo, sim, é o que falo.
- Isso é traição! - gritou Dionísio - Você está conspirando para me depor. Retire o que disse ou arque com as conseqüências.
- Não retiro nada - respondeu Pítias.
- Então você morrerá. Tem algum ultimo desejo?
- Sim. Permita-me ir em casa apenas para dizer adeus à minha mulher e meus filhos e deixar em ordem os assuntos domésticos.
- Vejo que não somente me considere injusto, mas também estúpido – Dionísio riu, sarcástico. – Se sair de Siracusa, tenho certeza de que nunca mais o verei.
- Dou-lhe uma garantia – disse Pítias.
- Que garantia nesse mundo você me poderia dar para fazer-me crer que algum dia voltará? – exclamou Dionísio.
Nesse momento Damon, que permanecia calado ao lado dos amigos, deu um passo à frente.
- Eu serei a garantia – disse. – Mantenha-me em Siracusa como seu prisioneiro até o retorno de Pítias. Nossa amizade é bem conhecida. Pode ter certeza de que Pítias voltará se eu ficar retido aqui.
Dionísio examinou em silêncio os dois amigos.
- Muito bem – disse por fim. – Mas se está disposto a tomar o lugar do seu amigo, deve ser dispor a aceitar a mesma sentença, se ele quebrar a promessa. Se Pítias não voltar a Siracusa, você morrerá em lugar dele.
- Ele cumprirá a palavra – respondeu Damon. – Não tenho a menor dúvida.

Pítias recebeu permissão para partir e Damon foi atirado na prisão. Muitos dias se passaram e, como Pítias não voltava, Dionísio se deixou vencer pela curiosidade e foi à prisão ver se Damon já estava arrependido de ter feito o acordo.
- Seu tempo está chegando ao fim – o rei de Siracusa escarneceu. – Será inútil implorar misericórdia. Você foi um tolo ao confiar na promessa do seu amigo. Pensou realmente que ele iria sacrificar a vida por você, ou por qualquer outra pessoa?
- É um mero atraso – Damon rebateu com firmeza. – Os ventos não permitiram que navegasse, ou talvez tenha encontrado um imprevisto na estrada. Mas se for humanamente possível chegará a tempo. Tenho tanta certeza da sua virtude como da minha própria existência.
Dionísio admirou-se da confiança do prisioneiro.
- Logo veremos – disse ele, deixando Damon sozinho na cela.

Chegou o dia fatal. Damon foi retirado da prisão e levado à presença do algoz. Dionísio saudou-o com um sorriso presunçoso.
- Parece que seu amigo não apareceu – ele riu. – Que acha dele agora?
- É meu amigo- Damon respondeu. – Confio nele.

Nem terminara de falar e as portas se abriram, deixando entrar Pítias cambaleante. Estava pálido, ferido e a exaustão tirava-lhe o fôlego. Atirou-se aos braços do amigo.
- Você está vivo, graças aos deuses – soluçou. – Os fados pareciam conspirar contra nós. Meu navio naufragou numa tempestade, bandidos me atacaram na estrada. Mas recusei-me a perder a esperança e finalmente consegui chegar a tempo. Estou pronto a cumprir minha sentença de morte.

Dionísio ouviu com espanto essas palavras. Abriam-se seus olhos e seu coração. Era-lhe impossível resistir ao poder de tal lealdade.
- A sentença está revogada – declarou ele. – Jamais acreditei que pudessem existir tamanha fé e lealdade na amizade. Vocês mostraram como eu estava errado e é justo que os recompense com a liberdade. Em troca, porém, peço um grande auxílio.
- Que auxílio? – perguntaram os amigos.
- Ensinem-me a ter parte em tão sólida amizade.

Fico me perguntando onde estão meus amigos. Foram atos meus, ausências minhas ou a simples passagem do tempo?
Gostaria de trazê-los para perto novamente.

consideração coletiva

Publicado por mogli__ em 14 Abr 2007 | sob: livro das virtudes

(O Livro das Virtudes, William J Bennett, p. 161)

Juramento ateniense
Este juramento era feito por jovens da Antiga Grécia ao atingir os 17 anos.

Não causaremos desgraças a nossa Cidade por atos de desonestidade ou covardia.

Lutaremos individual e coletivamente pelos ideais e tradições da Cidade.

Prestaremos reverência e obediência às leis da Cidade e envidaremos os melhores esforços para que nossos superiores - que podem modificá-las ou anulá-las - as respeitem também.

Lutaremos sempre para incentivar o povo a desenvolver a consciência cívica.
Através destes procedimentos, legaremos uma Cidade, não apenas igual, mas maior e melhor do que a que nos foi legada.

Não preciso complementar…

there and back again

Publicado por mogli__ em 13 Abr 2007 | sob: livro das virtudes

So, tentativa de ressuscitação. Espero que dê certo.
Pretendo tratar o blog com um caráter menos formal e, talvez, mais parecido comigo.

Nesta categoria, livro das virtudes, pretendo escrever trechos de livros que, no contexto da data da publicação, possuam alguma relação com o momento pelo qual estou passando.


O nome dela, é claro, é uma referência magna por si só.

Algumas pessoas, imagino, vão entender recados, indiretas ou o meu estado de espírito. Para as demais, vale a dica do livro.

;)