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Fair Enough

Publicado por mogli__ em 31 Mar 2008 | sob: geral

Ok, não consigo descrever como me sinto por estar sem postar há tanto tempo.
Há uma agonia na minha alma, tenham certeza disso.

Mais um post com tema sugerido. Desta vez, my sweet Boo, ousada, pediu que eu falasse sobre competição.

Honey, desculpe se não atingi suas expectativas, mas eis um pouco do que penso sobre o assunto.

Acho curioso como a vida selvagem é pacífica. Exceto momentos de alimentação e afins, a harmonia em selvas, savanas e outros terrenos similarmente “hostis” é tocante. O jângal, como descrito por Rudyard Kipling, poderia ser visto como perfeitamente comum. “Não matareis em vão, apenas pela tua fome ou da tua prole”, ensina o urso a um grupo de filhotes de lobo, que brincam com tartarugas e pássaros.
Contudo, não podemos imaginar que os animais não lutem pela sobrevivência. Sim, há uma batalha ferrenha, e não apenas entre caça e caçador, mas também nos clãs, por liderança, disputas de posição ou escolha de parceiros.

Como Cornwell ensina, o destino é inexorável: a necessidade de competição é natural.

Se competir pode ser entendido como disputar, ou guerrear, temos uma lição clara do no início dos Estudos Preliminares, do Mestre Sun Tzu, quando ele afirma que “a guerra é uma questão vital para o Estado. Por ser o campo onde se decidem a vida ou a morte, o caminho para a sobrevivência ou a ruína, torna-se de suma importância estudá-la com muito cuidado em todos os seus detalhes”.

Ora, Darwin defendeu um aspecto de competição ao propor a seleção natural. Afinal, se não houvesse necessidade de adaptação, haveria evolução?

Certo, mas este é um pensamento delicado. Se concordarmos, então, que para todo aprimoramento é necessária uma competição, podemos transformar nossas vidas em um inferno.

Prevendo a conseqüência vil deste raciocínio, o próprio General Tzu esclarece, para qualquer mente bélica de plantão, que o real objetivo da guerra é a paz.

Não precisamos esquecer a ética e sair demolindo nossos iguais para saciar o instinto animal de competição. Mesmo se compreendermos que “concorrência é a alma do negócio”, devemos perceber que a disputa não é para derrotar o concorrente - o que, por conseqüência, acabaria com a concorrência! - e sim para conquistar a clientela.

Isso fornece parâmetros para argumentarmos a favor da colaboração, sem deixar de lado a saudável competição.
“Certo, inimigo, faremos o seguinte: construiremos esta arma juntos, depois veremos quem luta melhor com ela”.

Fair enough, isn’t it?

Evitei, propositadamente, falar sobre ambientes profissionais. Aos que ainda estão em dúvidas, a lição magna de O demônio e a Srta. Prym: é tudo uma questão de controle e escolha.

Pré festa

Publicado por mogli__ em 17 Dez 2007 | sob: geral

Escrevi este texto alguns anos atrás. Na época eu morava em outra casa, cursava outra faculdade e estava em dois estágios, mas o hábito de escrever tempestades em copos d’água já existia.

Posto especialmente para minha Galega, que gosta muito da história. Houve pequenas correções, mas tentei não alterar os traços principais, tanto da idéia quanto os que refletem o contexto em que eu estava.

Resumiria como “o que importa é a viagem, não o destino”, que John Grogan comenta em Marley & Eu, livro que minha princesa também gosta muito. =)

Ê, laia…

Tenho observado como é interessante o ato de preparar o quarto para a noite. Não, não “A Noite”, qualquer noite, noites comuns. Agrada-me toda a cerimônia.

Você chega em casa e vai soltando as coisas no quarto. Ele nunca recebe a devida atenção. Mochila, jaqueta, sapato, chaves. Larga-se em qualquer suporte que fique ao alcance dos braços sem que seja necessário qualquer modelo de genuflexão posterior.

Você não mexe na cama.
Abusa do banheiro.
Simplesmente ignora os sentimentos e razão de ser daquele incompreendido buraco na parede.

Sai para o restante da casa, mas, inevitavelmente, haverá uma volta. O retorno. O ato de entrar – ah, começou Full Circle. É, Aerosmith, sua mula inculta. A mensagem de “amanhã será melhor” dessa música é tão revigorante… – no quarto quando você sabe que precisa dormir e que o dia está acabando é totalmente diferente. Você entra com aquele ar de favorito, com o âmago da sua gratidão concentrada nele: seu quarto.

Claro, provavelmente também no banheiro. Arrumam-se os livros e revistas, empilha-se a roupa suja. Lixeiro está limpo, bacio também. Não, a pia nunca está limpa. Você a organiza. Lava o rosto, escova os dentes, os cabelos. Amarra o cabelo. Admira-se no espelho, decepciona-se com a fria realidade e vira as costas. Apaga a luz mas deixa a porta aberta, é necessária a ventilação que entra pelo basculante.

Confere que a veneziana da janela esteja trancada, mas não baixa o vidro. No máximo de uma só, porém não em novembro.

Arruma os calçados e olha para a escrivaninha. Céus, o pensamento “com tudo isso aqui, meu guarda-roupas está vazio?” é inevitável. Triagem. Limpo, sujo, limpo, “meu Deus”… As que sobraram na mesa são separadas entre informais e roupa para trabalho. Trabalho, quase ia me esquecendo. Sempre há o intervalo para as responsabilidades, quando você está arrumando alguma coisa. O assunto entra por uma periferia, mas acaba tomando a sua mente. Por exemplo, ao arrumar as roupas do trabalho você lembra-se daquela pendência que deixou hoje ao sair, que te faz recordar do relatório da disciplina mais impertinente da faculdade, e então a coisa toda chega a um nível de necessidade no seu cérebro que você tem que parar. Pega a mochila, onde estão seus itens de sobrevivência na cidade, a calculadora e uns papéis para rascunho e senta-se na cama. Claro, ninguém usa uma escrivaninha como uma escrivaninha deve ser usada. São outros seres incompreendidos, podemos falar sobre eles no futuro.

Abre a mochila – Savage Garden com Crash and Burn, ela passa um sentimento de companheirismo que me faz lembrar algumas pessoas, mas quando termina eu as esqueço. Tão romântico. – e tira ela, a incomparável: a agenda. Não, se você não tem o hábito de usar uma você não pode imaginar a necessidade que sente alguém que as usa. É indescritível. Abre a folha do calendário para se situar, pula para as páginas da semana atual. Revisa os dias anteriores para checar itens pendentes, as futuras para se planejar. Pára na atual. Rabisca algumas coisas, a concentração foge e você começa a desenhar uma caveirinha – ou uma ilha, ou um elefante. Qualquer coisa sem nexo – ela volta porque você se surpreende como o tempo passa rápido, e aquele relatório realmente é para depois de amanhã. Bem, depois de amanhã ainda está longe. Começa o levantamento orçamentário. Contas a pagar, a pagar, a receber, a pagar. Porque a pagar é sempre maior? Impropério. Arruma os papeizinhos, confere lembretes e notas fiscais que são guardadas na carteira – Nirvana com Polly. Sem análises para essa – e guarda tudo. Certifica-se de que todo o equipamento do dia seguinte está na mochila para não ter de pegar coisas antes de sair de casa. Embrulha tudo.

Escrivaninha, janelas, banheiro, roupas, mochila. Sim, a cama. Ó cama. Tira a coberta, sacode e a pendura na cadeira. Bate os travesseiros e os empilha sobre a coberta. Estica o lençol, pega o travesseiro de cima e bate na cama. Não que esteja suja, mas a sensação de “ventilação” no lençol é interessante. Joga os travesseiros nas suas posições e estica a coberta.

Percebe dois pontos críticos: a ventilação, tão sublime, não teve seu fator chave, o ventilador; e o som, essencial, foi ligado, mas o aparelho não teve CD ou rádio escolhida. Você sabia que havia algum ruído te importunando, e era aquela estação comercial tocando sons alienígenas. Abre o porta CDs. Passa por vários. Avalia seu estado de espírito. Será algo inteligente ou psicodélico – ou seja, de The Doors a Pink Floyd, passando por Oasis e Aerosmith. Põe na rádio de todas as noites, se a música ou o papo for bom pode abdicar ao CD. Claro, junto da música vem o incenso, você precisa de um incenso. Escolhe entre os dois sabores, sem muita especificação nesta parte. Depois liga o ventilador, sem apontar para a cama e de costas para o incenso, de forma que seu aroma seja espalhado pelo quarto.

Chegou o momento decisivo. Celular está carregando e pronto para despertar. Você apaga a luz principal e liga o abajur ou qualquer outra iluminação indireta. Veste uma roupa folgada, pega o livro. Começa a ler, mas não está agradável, talvez correr os olhos sobre alguma matéria da aula. Também não, quem sabe só ouvir rádio, sem ocupar muito a mente. Que droga, isso também é chato.

A constatação final: a barreira de todas as noites. Dormir assim, em casa, sem nada de especial, é extremamente tedioso, perigoso e difícil.

Sabe aquela sensação de que a “pré festa” é sempre melhor que a festa? Isso, quando você passa a semana programando, planejando e convidando para o sábado à noite, e ele acaba sendo um saco. Era sobre isso, afinal que eu queria falar. A que será que se deve esse sentimento tão cretino? Há quem diga, e eu particularmente concordo, que é uma relação de decepção. Você visualiza e monta tanto aquele evento que quando ele acontece – e raramente será conforme você esperava – a decepção sobrepõe-se a toda a alegria daquele instante. Ó decepção, tão fria, concreta e intransponível. Você não encontra uma saída para ela, no máximo um consolo, uma desculpa. Que acaba a tornando pior.

Buscando-se uma saída para isso, chega-se a um chavão de discursos morais. Tentarei introduzi-lo de maneira diferente. Seu corpo está – seguindo-se as regras da física – no hoje, certo? Então porque, cristão, sua mente está no semana que vem, ou no amanhã à noite? Não, não estou dizendo “seja inconseqüente”, mas sim “viva o momento junto com seu corpo, viva agora”. Claro, planejar gera grande parte do sucesso na vida, mas não se prenda a planos. Desta forma o tombo da decepção é menor.

As formas naturais são as mais certas.

Doenças urbanas: solidão

Publicado por mogli__ em 25 Out 2007 | sob: geral

Francisco atravessou a estrada de chão que dividia a propriedade do vizinho com sua vara de pescar apoiada no ombro.
Parou para uma prosa com Jonas, na sua rotineira visita na região para vender pães.
Soube que Helena, aquela beleza de garota que mora perto da igreja, estava de aniversário e seu pai iria matar um boi para comemorar.
Despediu-se do colega e pulou a cerca que seguia a via, para tomar o caminho do rio.
Espremeu os olhos contra o sol antes de cumprimentar o Nilson, que tratava dos cavalos no pasto.

Andressa movimentava-se com dificuldade no ônibus apertado. Tinha pressa, já passara do seu ponto de descida porque ninguém havia solicitado uma parada, e puxar a corda sem estar em frente à disputada porta era inútil.
Desceu na frente do supermercado do bairro e aproveitou para comprar alguma coisa. Fila para lanche, fila para pão, fila no caixa. Levemente entediada, encaixou os fones de ouvido e ligou o som. Bateu o pé no ritmo da música que só ela ouvia, agradecendo por abafar o bip do caixa.
Isso o atendente conhecia bem. Bip, bip, bip. Débito ou crédito? Próximo. Duas horas mais tarde ele teria seu intervalo de trinta minutos, 10 deles empenhados na fila da lanchonete.

Francisco provavelmente acabou largando a pescaria para dar um mergulho. Na volta, passaria no centro para saber das festividades de logo mais.
Andressa deve ter largado as bolsas todas na mesa, respondido alguns e-mails e terminado a noite trocando de canais.

É evidente que os cenários foram montador para ressaltar o contraste, contudo é certo que nenhum deles mostra momentos imaginários ou excêntricos.
O segundo trecho provavelmente faz parte do cotidiano de muitos. Há uma patologia das massas que agrupa vários comportamentos típicos dos moradores de centros metropolitanos. Infelizmente, a maioria desses comportamentos não é natural.

As sociedades surgiram por necessidade e instinto. O homem vive em grupo e, desde que as primeiras noções de vida social foram evoluindo, diversas pequenas seleções, dentro do universo de uma determinada população, eram criadas.
Os freqüentadores de uma paróquia, caçadores de uma região, sócios de um negócio, fraternidades, cooperativas, família. Em vários graus de abrangência, o homem sempre contou com conceitos coletivos para se sentir acompanhado.
Para sentir-se parte de algo.

Francisco é parte de uma comunidade pequena e simples. Quase todos se conhecem, compartilham os eventos mais importantes e possuem grande dependência entre si.
Andressa vive em um arquipélago. As urgências da máquina capitalista, indiferença com as pessoas, insegurança e inversão de valores leva os cidadãos das grandes cidades a um marasmo social que cria, em cada um dos seus anônimos elementos, brecha para uma incômoda e complicada solidão.

Há quem tenha direito de dizer que está sozinho, sem que necessariamente seja um alienado social, é claro. Mas ouso defender que a maioria das cabeças solitárias desses mares de concreto ainda não parou para tentar entender a origem desta angústia toda.

Remédio? O oposto, é claro. Talvez as pessoas sejam boas e simpáticas, basta que tenham uma chance de mostrarem isso. Tome a iniciativa.
Conheça seus vizinhos. Vá ao cinema, jogue carta, dê jantares. Descubra o nome do seu porteiro e de todos os funcionários da empresa onde trabalha.
Monte seus ambientes. Crie um universo, para poder fazer parte dele. Construa seu grupo, isso é natural.

Outras doenças urbanas? Provavelmente Francisco não sofrerá de estresse bucólico, estafa campestre, síndrome de mato…

Este foi meu primeiro post com tema sugerido. “Fale sobre solidão”, disse o Mano. Isso é estranho, porque tenho medo de acabar decepcionando quem indica o tema, visto que nossas interpretações sobre o assunto podem não ser iguais. Mano, conto com sua compreensão :P

ô angústia

Publicado por mogli__ em 02 Out 2007 | sob: geral

Bah, como tem paranho nisso aqui. Parece que ninguém entra neste blog há meses.
É, quase isso. :P

O hábito de utilizar uma agenda para organização pessoal é muito curioso. Quanto mais você anota “to-do” nela, menos você respeita o que está escrito lá.
A minha é maravilhosa: em um mesmo dia, você encontra anotações de aula, trabalhos para entregar, lista de compras, registros de pagamentos movimentações financeiras e alguns desenhos abstratos.
Não que o dia escrito no topo da página tenha alguma relevância. Adoro escrever em dezembro para pensar que o natal está chegando.
Contudo, há uma nota que repito toda semana para me forçar a tomar alguma atitude, e que é um dos principais motivos de uma angústia que sinto: “postar no Cosmolite”.

Céus, como eu queria ter textos engraçados, interessantes e bem escritos todos os dias. Como seria bom ter vários leitores fiéis e participativos, e a certeza de contribuir para a felicidade do dia de cada um deles. Ter um quilo de comentários divertidos e inteligentes e receber uma monção de louvor por contribuir com a qualidade de vida da população brasileira.
Quiçá, até, chamar a atenção daquela garota teimosa. “Nossa, como ele é legal, acho que vou dar uma chance a ele”. Isso! É gol!

Pá, divaguei. Bem, acho que mostrei como gosto deste blog, de vocês e como o mundo é lindo.
Então, está dito: estarei sofrendo de dores intestinais fortíssimas sempre que eu ficar muito tempo sem postar.

Lavada a roupa suja, vamos à novidades. Apenas uma, na verdade: criei uma categoria para agrupar os posts que faço para pessoas especiais. São minhas humildes declarações à todos aqueles que, com muito amor, me ajudam a ser quem sou.

See ya!

idas e vindas

Publicado por mogli__ em 01 Jul 2007 | sob: geral

Post direcionado. Provavelmente a pessoa a quem ele se destina nem saberá da sua existência, mas mesmo sim mantenho o registro.
Espero que apreciem :)

Volto a questionar algumas teorias fatalistas.

Podemos acreditar que alguma coisa - momento, sentimento, vitória, relacionamento, situação… - seja eterna? Há alguma razão em dizer que […] vai durar para sempre?

A vida na Terra surgiu há 3,5 bilhões de anos e esse piscar de olhos foi o suficiente para que formas de vida surgissem e desaparecessem. Os dinossauros, exemplo típico, existiram entre aproximadamente 230 milhões e 65 milhões de anos atrás. E, acreditem, tinham força e tamanho suficientes para continuar por aí até hoje.

O Holy Roman Empire, por sua vez, durou de 753 AC a 476 DC. Era vasto, impetuoso, blá blá blá. Sucumbiu.

Neste clima de Maravilhas do Mundo Moderno, lembremos do Colosso de Rodes. Era uma das 7 Maravilhas do Mundo Antigo, uma estátua toda de bronze com trinta metros de altura. Tinha os pés nas margens do canal da Ilha de Rodes e representava Hélios, o Deus do Sol. Demolida com um terremoto.

Hum… Torres Gêmeas? Bem, todos sabemos, deixa pra lá…

Temos também alguns exemplos do mundo virtual. A bolha da internet é uma prova disso. Cresceu, chamou atenção, atraiu investimentos… Até que, um belo dia, alguém disse: “pópará, que palhaçada é essa?!”. Estourou.

Temos incontáveis indícios de como as ações e construções humanas são perecíveis. Não sei se podemos provar isso, mas é uma verdade tangível e diária: somos efêmeros.

Porém, o que eu realmente questiono é o retorno: mesmo com a extinção, não poderia nascer uma linhagem de dinossauros? Não poderia Roma voltar a dominar regiões e se tornar uma grande potência? Foram construídas estátuas e obras gigantescas mesmo depois do Colosso de Rodes, não? Há até um projeto de reconstrução do WTC.

Life is a loop.

Com a nossa insignificância atestada à toda prova, quais critérios uma pessoa tem para afirmar que não dá mais? Quais argumentos - eu pergunto - qual a razão existente por trás desta afirmação intemporal e levemente profética? Nós não podemos - não podemos - dizer que nada pode voltar, da mesma forma como não podemos dizer que algo seja eterno. Como a existência tem um fim, o fim tem um início.
E o início, um fim; o fim, um início.

Bilbo disse there and back again, e eu adoro esta frase. Ela é perfeita, uma lição de vida em quatro palavras.

Medo. A mediocridade da nossa espécie tem isso: o medo impede, inibe, controla a razão. E isso, provavelmente, é o que leva algumas pessoas a, surpreendentemente, negarem a possibilidade óbvia da felicidade. Medo faz as pessoas negarem o amor.

Para quê? Para talvez - só talvez - ter o direito de dizer “eu estava certa”. Recusa o amor, flagela-se a cada nova experiência frustrada, suja-se em cada mão estranha que encontra e perde o seu brilho a cada pontada de desespero.
Mas estava certa!

Ao vencedor, as batatas.

game over. Continue?

Publicado por mogli__ em 29 Mai 2007 | sob: geral

Não pense. Clique em YES.

A maioria de nós consegue caminhar sobre duas pernas, certo? Quantas vezes caímos até termos confiança e experiência o bastante para permanecermos eretos?
Você consegue redigir um texto e cantar uma música, não? Quando tinha aproximadamente sete anos de idade, quantas coisas conseguia fazer ao mesmo tempo? Meia, imagino.

A torrente de exemplos é assustadora, e todas direcionam uma conclusão gritante: evoluímos ao passo em que tentamos.

O erro é a melhor lição que podemos tomar, se soubermos aceitá-lo e entender as suas razões. Paulo Cisneiros entitulou sua obra, que foca este conceito em uma área espeficica, de aprender com os erros, crescer com os acertos.

Crescer com os acertos pode ser tema de futuros debates, mas aprender com os erros é imediato, é constante.

Você não é perfeito. Por mais que seu ego seja de dimensões pouco aconselháveis, no fundo dele, lá onde você só vai quando está sozinho e trancado no seu quarto, você é forçado a encarar os seus erros.

Somos humanos. Somos animais. Nós erramos.
Isso é natural.

Símbolo de sabedoria e melhor convite para uma vida próspera é reconhecer que você errou, encarar a situação sem hipocrisias - respirar fundo - e tentar de novo.

Foram alguns tombos de fralda no chão até que você pudesse correr, pular e dançar. Ok, talvez dançar você ainda não consiga, mas isso também é só questão de prática. De tentativas.

João Feres Jr foi além e sugeriu, no seu artigo sobre o estudo da política americana no contexto nacional, que podemos aprender com os erros dos outros.
É, de certa forma, o que a administração chama de benchmark. A aplicação principal é estudar o sucesso de certas experiências e aplicar os fatores na sua realidade, mas quem impede que você faça um benchmark dos fracassos, e aprenda sem ter de passar por eles?

Vestibular, carteira de habilitação, pedido de casamento. Tudo tem uma segunda chance. Terceira, quarta… Depende do seu empenho e interesse em conseguir.

Fernando Pessoa comentou, em um momento de grande iluminação, que podemos tirar uma boa lição de tudo o que vivemos, se estivermos acessíveis e concentrados nisso.

você se preocupa com as pessoas?

Publicado por mogli__ em 04 Mai 2007 | sob: geral

Ema, ema, ema
Cada um com os seus problemas

Ouvi esta máxima há alguns dias, em um momento trivial e insignificante ao ponto de eu não lembrar exatamente qual era. Ponto de ônibus, ônibus, terminal de ônibus ou algum elemento afim do sistema de transporte urbano, geralmente ouvimos esse tipo de coisa em lugar com muita gente.

Não acompanhei toda a conversa e não posso fazer um juízo de valor sobre o contexto no qual aquele pensador iluminista encaixou este lema da serenidade. Ainda assim, podemos julgar a citação, isoladamente.

Ela sugere, eu diria, que cada indivíduo é responsável pela sua vida e não deve se preocupar com a dos demais, sendo que por vida entendemos todas as faculdades que determinam o ser (pessoal, profissional, financeira, amorosa, social…), visto que todas estão passíveis à criação de algum problema.

Certo, até faz algum sentido. A primeira premissa é verdadeira, sem dúvida, mas… Aquela segunda não está com um ar cretino?
Poderíamos dizer que a pessoa não precisa se preocupar com a vida das outras, mas será que, se houvesse a oportunidade, o espaço para tal e a capacidade, você não ajudaria a um estranho?

Sejamos adultos. Ajudar não significa indicar qual ônibus a pessoa deve pegar, onde fica a rua 7 de setembro ou o telefone da farmácia mais próxima. Ajudar é doar o que há de melhor em você e que vá contribuir com as necessidades da outra pessoa. Seja sua atenção, conselhos, orientações, ouvidos, dinheiro, afeto, carro, compreensão.

Trate os outros como você gostaria de ser tratado, a Bíblia diz isso.
Ok, se isso não for argumento para você (não seria para mim…), pense que um mundo melhor depende de você.
Pode parecer exagero, mas é a mais pura verdade.

Ema, ema, ema.
Fico pensando o que a pobre ave fez…

shame, shame, shame

Publicado por mogli__ em 14 Abr 2007 | sob: geral

Que me perdoem os fatalistas, mas a vida é de quem faz. Se suas conjecturas permitem a existência de um poder superior (ou Poder Superior, anyway), e sendo o livre-arbítrio um dos legados do homem, não posso acreditar que nos seria fornecida a chance de decidir sobre nosso atos se todas as suas conseqüências já estivessem determinadas.

Concomitantemente, a inglesa Mary Midgley afirma que o ponto central de excelência do existencialismo é a aceitação da responsabilidade (ou falta dela…) sobre nossos atos e suas conseqüências.

Esta linha só é fortalecida quando nos deparamos com aquela miríade de se… que surge ao refletirmos sobre um evento.

Portanto, deixando a demagogia ir dar uma volta no parque, gostaria de lembrá-los - de tomar a liberdade de lembrá-los - que os seus atos, as suas ações, as suas decisões implicarão diretamente sobre a sua vida e o seu futuro.

Sabe o gosto do arrependimento? É horrível.

Seja conseqüente. Maktub é para os acomodados.

Definição

Publicado por mogli__ em 08 Mar 2007 | sob: geral

Curtas:
08 de março - dia internacional da Mulher.
De 09 a 07 de março - tempo para dedicar-se em fazer com que ela sinta-se uma.

Get dressed for success
Shape me up for your love

Stuck in a moment

Publicado por mogli__ em 08 Mar 2007 | sob: geral

Houve sempre forte angústia em alguns integrantes da minha turma de amigos, digamos assim, de infância, por assim dizer. São aquelas amizades que você cria no fundo do coração, e que por mais que seu mundo vire do avesso e você conheça centenas de pessoas, nenhuma delas chegará à categoria desses amigos de antigamente.
Parece algo hierárquico, como colegas e amigos. Não sei explicar, mas é bem verdade.

Então, como ia dizendo, algumas pessoas dessa turma temiam o futuro. “Fulano vai se formar (no Ensino Médio) ano que vem, o que será que vai acontecer?”, ou “Ciclano está se mudando, não o veremos mais”, e essas coisas da vida.
Tudo isso criava um grande medo de como continuaria a turma, as amizades e os relacionamentos.

Inevitavelmente o tempo passou - ele tem esse hábito, não é? - e, da mesma forma inevitável, muitas coisas mudaram. Muito.
Vícios, cidades, hábitos, amizades.
Valores.

Com isso, comentários do tipo “antigamente não era assim” ou “alguns anos atrás estaríamos fazendo isso” acabam sendo espontâneos.
Triste, não é?
Segurem esta emoção toda, vejamos outros aspectos.

O levantado acima trata da natural evolução humana e social. As pessoas tendem a amadurecer com o passar dos anos, e, atrelado a isso, temos vários acontecimentos - familiares, profissionais, sociais - que interferem na vida do cidadão, e impulsionam mais ainda a tão temida mudança.
Temida.

Em ambientes corporativos, se você vislumbra a alteração de um determinado procedimento - ao invés de A aprovar, mandar para B copiar e depois para C catalogar, tirem B da história e deixem que A aprova e C faça o resto - costuma dar alergia nos colaboradores envolvidos.
Atualizar o método de marcação de ponto, então, origina ataques de raiva.

Há uma certa relação entre a tristeza pela transformação do colega, tratado nos parágrafos iniciais, com a aversão do funcionário descrito acima?
Muita.
Comodismo? De certa forma. Insegurança? Total.
O homem naturalmente é resistente a qualquer alteração do seu ambiente.
Talvez seja uma resistência infundada. Lavoisier havia previsto que tudo se transforma, previsão esta que, aplicada aos animais, veio a ser comprovada pelo colega Darwin.

Nascemos para isso. Somos programados para evoluir.

Certo. Se aceitarmos essa premissa natural, como tratar da depressão pelo colega que não é mais o mesmo, ou pelo maldito procedimento que antes era assim e agora é assado?
Bem, nas organizações as causas são, em grande parte, insegurança pela geração de instabilidade do vínculo. O cidadão acha que se A mudar para B ele terá menos responsabilidade e, consequentemente, será demitido.
Se este é o seu plano, chefe, então finja que você não está notando a crescente coceira do seu funcionário. Caso um eventual desligamento não esteja em vista, seja claro sobre as razões da mudança. De forma sincera.

Claro, com os vínculos afetivos a história é outra. Costumo sempre tentar convencer as pessoas de uma teoria que nem eu tenho muita convicção, mas ela faz sentido.
A transformação das pessoas e comportamentos é inevitável. Aceite isso.
Antigamente era melhor do que agora? Certo. Defina com clareza quais pontos eram melhores: se eram as conversas, discussões, entretenimentos, cumplicidade. Enfim, você será capaz de uma pequena lista das características que você preferia no molde antigo.
Agora, a parte difícil: busque a essência. O quê, exatamente, fazia com que esses itens da lista existissem e fossem tão importantes? A essência é imutável, basta procurar com atenção.

Quando você encontrá-la, perceberá que aquela angústia está bem menor. Agora é só aplicar essa essência nos dias de hoje.
Por mais que uma pessoa mude, o caráter mantem-se o mesmo. A índole é única.
Esta índole nunca negará uma essência dela.
Com isso você conseguirá aquelas mesmas amizades de antigamente, mas com um arzinho moderno.

Pelo menos é algo em que acreditar.

Navegar é preciso, viver não é preciso.
Fernando Pessoa disse que navegar era criar.
Eu digo que é evoluir.

E você?

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